4.8.13

Festas, nativas

Uma das características mais marcantes de qualquer país, região ou cultura é a forma como esta se expressa no folguedo. Por outras palavras: festa! Festança! Farra de meia-noite!

E não me refiro a discotecas ou outros estabelecimentos de diversão nocturna, mas sim às festas tradicionais, romarias, bailes de aldeia, procissões mais ou menos religiosas, feiras populares. Estão a ver...!


Em Tenerife tive a sorte de me deparar com duas. Uma, já a noite corria célere. À beira da estrada, no largo da igreja, uma pequena multidão juntava-se. Parei. Era surpreendentemente parecida com as que se realizam em incontáveis freguesias de Portugal. Com algumas particularidades: havia paella para todos... gratuita. Mais ou menos... porque precisamente antes das bancas abrirem, os mordomos passavam com uma bandeira espanhola a recolher donativos. Assertivamente, perguntando se já haviam contribuido para a causa! O ambiente era fenomenal: música, bandeirolas, a igreja ricamente iluminada, conversas profanas no adro... Os ingredientes estavam lá todos. Mas, fotograficamente... correu mal. Muito mal! À quarta imagem, ficar sem possibilidade de fotografar... é no mínimo frustrante! Fora um dia extremamente intenso, e havia gasto as 3 baterias. Tenho de comprar mais uma. Ou fotografar menos.


Felizmente, uns dias mais tarde, noutra zona da ilha, em Santiago del Teide, voltei a deparar-me com um arraial. Desta vez, à tarde. Concerto da banda filarmónica local incluído, com o sol a deslizar para oeste em direcção a uma agreste cumeada que, em contra-luz, escondia a linha de horizonte definida pelo Atlântico.

Por alguma razão, sinto que estes momentos me permitem, enquanto viajante exógeno a uma dada realidade, partilhar por instantes parte da vida quotidiana das gentes daquele loca. Ilusória percepção, talvez. Passageira, certamente. Mas não deixa de ser um ponto de contacto, algo que se cristaliza na memória e, por vezes, na forma de fotografias que nos relembrarão o espaço, as cores, as formas e, como que por osmose, a sua sonoridade, cheiro e movimento... Além de que, talvez pelo ambiente festivo, parece que é mais fácil os forasteiros serem recebidos de forma mais calorosa.


Seja como for, gosto! Da festa. Da festança. Da farra de meia-noite!



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