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30.4.16
Exposição Crónicas da Atlântida | Lisboa
Após a palestra no Porto, as Crónicas da Atlântida rumaram à capital, com a exposição do projecto Crónicas da Atlântida, que estará patente de 6 de Maio a 5 de Junho na Lx Factory, no 2º piso do edifício do CoWork.
São 37 fotos das 9 ilhas açorianas, acompanhadas das pequenas histórias associadas a cada uma das imagens.
Entrada livre | Diariamente das 07h00 às 02h00 |
Mais em www.cronicasdaatlantida.org
31.3.16
Palestra Crónicas da Atlântida | Porto
Após dois anos de viagem pelas nove ilhas açorianas em busca do quotidiano das gentes do arquipélago, acompanhado pela máquina fotográfica, inicia-se amanhã, dia 1 de Abril (não é mentira!) um novo ciclo do projecto Crónicas da Atlântida. No Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto, na Praça dos Leões, bem no coração do centro histórico da Invicta, pelas 21h00, estarei à conversa em discurso directo sobre o que significou para mim este projecto - o que vi, o que vivi, o que senti. E o que fotografei. A primeira NomadTalk de 2016
Iremos percorrer visualmente muitas imagens até agora inéditas, viajando pelos verdes picos que alguns dizem ser da Atlântida afundada. Partilharei com o público os tesouros que encontrei e as estórias de vida de inúmeras personagens extraordinárias, com vivências ímpares, que me deixaram sem dúvida mais rico, mais humilde, mais completo.
Enche-me um profundo sentimento de gratidão às gentes dos Açores. Se era já um convertido, apaixonei-me ainda mais por este território mágico. Obrigado a todos!
E todos estão convidados para a palestra!
1 de Abril | 21h00 | Praça Gomes Teixeira (Leões) | Entrada livre
O projecto Crónicas da Atlântida foi possível graças ao apoio da Bolsa de Exploração Nomad e da National Geographic Portugal
14.2.16
Crónicas da Atlântida - fim e principio
Sim. Fim e princípio.
Não. Não me enganei na ordem. As Crónicas da Atlântida chegaram a um fim. E simultaneamente a um novo princípio.
Ao fim de dois anos de trabalho de campo e mais de uma dezena de viagens ao arquipélago, completei a captação de conteúdos para o projecto. É um momento de reflexão, de parar para olhar para a jornada até aqui vivida e, após essa pausa, de forças retemperadas, olhar para a segunda fase, tão ou mais importante: a comunicação deste projecto e a produção dos seus outputs.
Nos últimos nove meses - de Maio de 2015 a Janeiro de 2016 - a página do projecto foi sendo completada diariamente, ilha por ilha, da maior para a mais pequena, de Oriente para Ocidente. São 276 fotos no total, que têm como objectivo espelhar a minha perspectiva pessoal do quotidiano de cada uma das ilhas, mostrando aquilo que um viajante curioso pode encontrar nos Açores. Para além das paisagens deslumbrantes, cenário de um argumento filmado em câmara lenta, a ritmo próprio, as suas gentes são os actores principais, foco da minha atenção, admiração e respeito. E foi nelas, em quase sofrimento por secundarizar voluntariamente o entorno, mas mantendo-o debaixo de olho, como pano de fundo significante, que a minha objectiva se focou. Só eu conheço a riqueza interior que deste arquipélago trouxe! Procurei que tais experiências humanas, pessoais e emocionais transparecessem para o registo documental que lá me levou. Que as fotografias, com toda a sua frieza bidimensional, ganhassem vida por artes mágicas e transmitissem ao espectador pelo menos uma parte do que vivi! Sinto-me um privilegiado – pelo que senti, pelo que vi, pelas portas que me foram abertas, pelas horas de conversas, por vezes silenciosas, que me foram ofertadas. Foram viagens em carrinha de caixa aberta, face ao vento, a ouvir estórias de baleeiros! Foram saídas para o Atlântico em frágeis cascas de nós a quem os pescadores chamam casa! Foram jornadas a vindimar de costas contorcidas, a arrebanhar manadas de vacas por encostas íngremes, a feirar sob copiosa chuvada, tardadas a correr à frente de touros, caminhadas em busca de burros autóctones, lancharadas de porco no espeto para comemorar sucessos de outrem e rezar por futuros alheios... E tanto, tanto, tanto mais! Cada ilha com as suas particularidades, cada calhau, como alguns lhes chamam, com uma alma comum, uma açorianidade que alguns não vêm, outros muito discutem, mas que se sente, se entranha a cada chegada, a cada partida!
Sinto os Açores como minha casa. Minha segunda casa. Em cada ilha poderei regressar e ser acolhido por sorrisos conhecidos. Já antes tinha visitado as nove ilhas. Regressei a todas. Regressarei. Como quem regressa a um lar há muito abandonado. Há muitas vidas atrás...
As Crónicas foram um dos mais longos e intensos projectos fotográficos pessoais que empreendi ao longo da minha carreira enquanto fotojornalista. Em que o foco, tempo, recursos e esforço empreendidos foram maiores. Com empenho renovado, inicia-se agora uma nova etapa. Ao longo de 2016 suceder-se-ão diversos eventos: exposições fotográficas, a produção de um slideshow multimedia, palestras nas principais cidades do país, culminando na publicação de um livro fotográfico, cujos textos serão também eles assinados por mim. É um novo princípio, em que a presença virtual se reduz para dar espaço às iniciativas de carne e osso. Para elas espero poder contar com a vossa presença, para que me seja dada a oportunidade de partilhar esta minha paixão. E para que dúvidas não restem, hoje, neste dia que alguém disse ser dos namorados, renovo a declaração de amor a este território tão peculiar, que há 25 anos trago no coração...
Adoro-vos, Açores!
E um profundo agradecimento a quem esteve desde a primeira hora com este projecto, tornando-o possível:
1.1.16
Crónicas da Atlântida | Mês 9 | Corvo
Novo ano, nova ilha!
As Crónicas da Atlântida estão a chegar à sua última, mais diminuta, mas talvez mais enigmática ilha: o Corvo! Com uma população de 430 pessoas, uma única localidade, uma única estrada, uma escola e o único local do país em que não existe Junta de Freguesia, mostra uma tendência demográfica rara na Europa: crescimento! Contra as expectativas, o quotidiano aqui é surpreendentemente preenchido: actividades desportivas, eventos musicais, pesca, praia e até concertos de música ao vivo têm lugar com uma frequência insuspeita. E nada, mas nada mesmo, pode descrever a sensação de silêncio e paz que o ocaso traz, com a segurança de que amanhã será outro dia, algures no meio do Atlântico, algures a meio caminho entre a Europa e as Américas...
São as últimas 31 fotografias de um total de 276, publicadas diariamente ao longo dos últimos 9 meses em www.cronicasdaatlantida.org
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1.12.15
Crónicas da Atlântida | Mês 8 | Graciosa
Caminhando a passos largos para o final, as Crónicas da Atlântida chegam em Dezembro àquela que talvez seja a menos conhecida das ilhas dos Açores: a Graciosa. Na sombra da Terceira, fora do Triângulo, fica, no inverno, dependente das ligações aéreas para a comunicação com o mundo exterior. Outrora o celeiro do arquipélago, é uma ilha altamente produtiva, em que a orografia suave e a baixa altitude facilitam o estabelecimento de uma presença humana proporcionalmente elevada: com pouco mais do triplo da área do Corvo, tem uma população dez vezes maior!
Galeria actualizada diariamente em www.cronicasdaatlantida.org
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4.11.15
Crónicas da Atlântida | Mês 7 | Flores
Em Novembro chegaremos ao território mais a Oeste da Europa: o grupo Ocidental do arquipélago dos Açores. As Flores, conhecidas pelas suas inúmeras cascatas de água e incomparável vegetação luxuriante receber-nos-ão, num misto de insularidade extrema, bruma atlântica e brilho humano.
São as Crónicas da Atlântida percorrendo uma geografia onde as lendas e as estórias de viajantes antigos se contam ao vento, que hoje se debate com uma desertificação galopante, onde novas comunidades de estrangeiros se formam e onde, mais do que em qualquer outro lugar, o isolamento se entranha, nas gentes, no sentir quotidiano. Ali, em ligação umbilical com o Corvo, ilha irmã, há que se valer por si próprio. O barco pode não chegar. E o avião aterrará... não se sabe bem quando.
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1.10.15
Crónicas da Atlântida | Mês 6 | Santa Maria
Passada a marca do meio do projecto, as Crónicas da Atlântida entram nas chamadas "ilhas pequenas", aterrando directamente em Santa Maria durante o mês de Outubro.
A "Ilha Amarela" - a mais antiga, a primeira a ser povoada e a que mais diferente é das restantes, pela geologia parcialmente calcária e clima seco - é também surpreendentemente cosmopolita para a sua área e população. A proximidade a São Miguel, na actualidade, a presença de ingleses, franceses e americanos, ao longo da história recente e a marca difusa deixada por piratas e corsários no antigamente, fazem com que a vida cultural e as mentes arejadas de Santa Maria se revelem ao viajante...
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1.9.15
Crónicas da Atlântida | Mês 5 | Faial
No mês que anuncia o fim do Verão, Setembro, e que simultaneamente marca o meio do projecto, as Crónicas da Atlântida seguem viagem para o Faial.
Serão 30 instantâneos do quotidiano da Ilha Azul, porta de entrada do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), onde os Açores são mais arquipélago, onde a insularidade se sente de forma quase omnipresente, tantas e tão presentes são as ilhas no horizonte. A Horta acolhe-nos, famosa como ponto de encontro de iatistas e velejadores no Atlântico Norte, com o incontornável Café Peter's como sala de visitas. A perfeita Caldeira lá está, sobranceira, circular, profunda. E a alienígena paisagem lunar do vulcão dos Capelinhos aguarda os passos do viajante, na outra ponta de ilha, para o ocaso diário num idílico miradouro!
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1.8.15
Crónicas da Atlântida | Mês 4 | São Jorge
Inicia-se a 1 de Agosto o quarto mês do projecto Crónicas da Atlântida, dedicado precisamente à quarta maior ilha do arquipélago dos Açores - São Jorge.
Durante 31 dias teremos 31 fotos da vida quotidiana captadas por toda a Ilha-Dragão, apodo devido à sua particular forma alongada, com uma cadeia de cones vulcânicos relembrando as costas e escamas de um sáurio. São Jorge tem nas suas fajãs - pequenas áreas de terreno plano e fértil na base das escarpas, junto ao mar - o expoente máximo de peculiaridade, numa paisagem onde o verde nunca falha e que se assume como o epicentro geográfico dos Açores - do Pico da Esperança, em dias de céu límpido, enxergam-se as cinco ilhas do Grupo Central, duas de cada lado e mais uma sob os pés.
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10.7.15
Nas entranhas da Terra
Apesar de ter já viajado por quatro continentes, ao longo de mais de 25 anos, poucos locais me impressionaram tanto como aquele que aqui hoje partilho. Verdadeira janela para as entranhas da Terra, presenteia o visitante com cambiantes coloridos que desafiam a imaginação. À medida que as pupilas se dilatam, habituando o olhar à penumbra que aqui impera, vamos ganhando vislumbres das portentosas forças que estiveram em jogo na formação deste fenómeno vulcânico.
Estamos, como não poderia deixar de ser, no meu arquipélago preferido: Açores. Em reportagem para as Crónicas da Atlântida, que têm por destino, durante este mês de Julho, a ilha Terceira. E o espectáculo decorre non-stop, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Tendo um fraco fotográfico por padrões e abstratos, aqui sinto-me no paraíso. Uma interminável procissão de verdes, amarelos, laranjas, púrpuras, azuis, castanhos, vermelhos e, claro, negros, pintam o cenário irregular que se vai contorcendo pelo cone vulcânico abaixo, revelando sempre novos recantos e diferentes perspectivas. Rochas, musgos, plantas e fungos juntam-se ao cocktail cromático, numa quase overdose visual.
Bem-vindos ao Algar do Carvão...!
1.7.15
Crónicas da Atlântida | Mês 3 | Terceira
A partir de 1 de Julho o projecto Crónicas da Atlântida entra numa nova fase, contando agora com o Jornal i como parceiro. Esperam-se novidades na edição em papel nos próximos meses, num suporte físico que complementará o novo microsite, que estará online na plataforma do diário a partir de hoje no endereço www.ionline.pt/atlantida
Alarga-se assim o leque de conteúdos deste projecto, que inaugura também hoje o seu terceiro mês, dedicado, apropriadamente, à ilha Terceira.
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31.5.15
Crónicas da Atlântida | Mês 2 | Pico
Inicia-se a 1 de Junho o segundo mês do projecto Crónicas da Atlântida, dedicado à segunda maior ilha do arquipélago dos Açores - o Pico.
Durante 30 dias teremos 30 fotos da vida quotidiana em torno da mais alta montanha de Portugal, que se ergue dos fundos marinhos até aos 2351m de altitude, numa paisagem ora agreste, lávica, quase palpavelmente telúrica, ora gentil, domada, por instantes terna...
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1.5.15
Crónicas da Atlântida
Açores. Uma foto por dia. Uma ilha por mês. Da maior para a mais pequena. Um arquipélago, visitado de Leste para Oeste. Nove meses de fotografia, numa lenta génese de que resultarão precisamente 276 fotos.
Embarquem nesta viagem em: www.cronicasdaatlantida.org
O mote está dado. E o dia chegou. 1 de Maio. Dia do Trabalhador. Pareceu-me uma bela data para inaugurar o projecto Crónicas da Atlântida, cuja génese remonta a 2013 e que se torna a concretização de um sonho de longa data: fotografar o quotidiano de todas as ilhas dos Açores, como viajante apaixonado pelo arquipélago, sem constrangimentos editoriais ou comerciais, permitindo-me mergulhar a fundo no dia-a-dia destes rochedos maravilhosos, pelos quais me perdi de amores há 25 anos!
Um projecto fotojornalístico pessoal em que, para variar, o foco incidirá nas pessoas e não nas paisagens. Essas lá estarão, sim, mas quase sempre em segundo plano, cenário extraordinário de uma vivência ordinária - no melhor sentido da palavra. Viajar nos Açores pode ser uma indescritível experiência. As gentes que ali habitam têm corações grandes, curtidos pelo sal e pela neblina com que convivem desde sempre. Para quem queira, deambular nas ilhas será também um encontro. Não só com essa Natureza vagamente domada mas intrinsecamente selvagem, mas sobretudo com a essência humana, no seu melhor. Procurei, em imagens, cristalizá-la, algo tão efémero quanto concreto. Dir-me-ão, daqui a nove meses, se o consegui.
De Maio de 2015 a Janeiro de 2016 alimentarei esta página, diariamente, com imagens realizadas nas múltiplas viagens que aos picos da Atlântida fui fazendo, contando as pequenas grandes histórias das personagens que conheci, e que variarão ao sabor dos caminhos que fui trilhando: desde o lavrador ao cientista, do micaelense de sotaque cerrado à ucraniana de cabelo dourado, do artista plástico ao controlador aéreo, passando por tantos, tantos outros, igualmente ricos, igualmente enriquecedores!
Sem ter de forma alguma a pretensão de ser exaustivo, propus-me partilhar um vislumbre do panorama que, buscando, encontrei... E, digo-o desde já, cresci muito neste processo. Como fotógrafo. Como jornalista. Mas sobretudo como ser humano. Obrigado a todos os que comigo partilharam instantes do seu quotidiano. Sem eles este projecto não teria sido de todo possível. Bem hajam!
Um grande obrigado também às entidades que tornaram este projecto possível: à Nomad, como patrocinador, à National Geographic Portugal, como media partner e aos apoios da Autatlantis, Pousadas de Juventude dos Açores e Sata.
3.6.13
Mau tempo no canal (ou não)
A expressão, cunhada por Vitorino Nemésio, um dos mais ilustres açoreanos, num romance denso que se tornaria um clássico da literatura portuguesa, tem tanto de real como de imaginário. Depende do dia. Ou, melhor, da hora do dia.
A inconstância da meteorologia por estas bandas é célebre, sendo quase um lugar-comum afirmar-se que nas ilhas temos as quatro estações num dia. Mas, para um fotógrafo, mau tempo é igual a bom tempo! As neblinas, a constante mutabilidade da luz, a chuva e o vento tornam este território um paraíso para a fotografia de Natureza e de viagem.


2013 vai ser um ano experimental no que aos Açores me diz respeito. Não que vá visitar uma nova ilha (tive o privilégio de completar esse périplo há um par de verões atrás, 20 anos depois de aqui aterrar pela primeira vez). Nem é nenhuma nova formação, das que tenho vindo a desenvolver com a Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores. Surgiu um novo projecto: Pelas Ilhas da Atlântida, com António Luís Campos. Objectivo: visitar e fotografar, com um grupo de viajantes/fotógrafos, o Triângulo, (as três ilhas do Grupo Central que se encontram mais próximas: Faial, a ilha azul, São Jorge, o dragão, e o incontornável Pico, com os seus 2351 metros de altitude, o ponto mais alto de Portugal). Durante uma semana visitaremos locais icónicos, como o alienigena vulcão dos Capelinhos, em que nos sentimos transportados para uma paisagem lunar, jovem, colorida, repleta de formas únicas. No Pico, a montanha é tão presente quanto o Atlântico. Na prática, quase só temos duas opções: ou fotografamos o mar, ou fotografamos o perfeito cone vulcânico. As vinhas da Criação Velha, Património da Humanidade UNESCO, demonstram o engenho dos picarotos ao domar, a pulso, a paisagem agreste. São Jorge tem, para mim, um encanto especial, um charme discreto mas profundo: ilha de forma original, assemelha-se ao perfil de um monstro marinho repousando. A sua maior particularidade: as fajãs. Estreitas línguas de lava que, após escorrer das encostas escarpadas do vulcão em erupção, se criaram solidificando em contacto com a água fria do oceano. Territórios férteis e planos (coisa rara por ali), são de dificil acesso (ainda hoje existem algumas onde apenas se chega a pé ou por mar).
Nestes cenários, no início de Setembro, serão múltiplos os ingredientes que farão desta viagem uma visita ao mais exótico que Portugal tem para oferecer: sairemos para o mar em busca de baleias e golfinhos, uma das mais envolventes experiências que já vivenciei, desceremos a um canal de escoamento lávico subterraneo e assistiremos ao nascer do sol no ponto mais elevado de São Jorge, o pico da Esperança - com a esperança de que o nevoeiro não decida jogar às escondidas connosco...
Quem me conhece sabe o quão apaixonado sou por este arquipélago. Ter a possibilidade de partilhar tal deslumbramento com um grupo, também ele entusiasta da fotografia e da viagem, vai ser certamente fabuloso. O convite está feito!
2.6.13
Home again
A pingar. Que nem um pinto. Foi assim que fiquei. E o sol brilhava, radioso!... Tinha acabado de sair de um mergulho.
Há já algum tempo que não mergulhava com garrafa, e soube bem! A beleza e e exuberância da vida marinha rivaliza com a da superficie. Nudibrânquios coloridos, com parcos centímetros de comprimento; uma santola do tamanho de uma bola de futebol; moreias à duzia de boca aberta e olhar duvidoso; algas ululantes, dançando ao sabor da corrente e da ondulação; cardumes de peixes prateados numa sincronia desconcertante, como que conduzidos por alguma força maior... e, enquadrando em fundo todos estes elementos, o azul esverdeado da água, omnipresente, magnético...


Açores.
Uma terra que herdou o nome de um equívoco, duplamente perpetuado: as aves de rapina que cá existem com abundância e que os primeiros navegadores tomaram por açores não o são. E continuam a ser mal identificados. Milhafres, chamam-lhes hoje. Também não o são. Mas não interessa.
Interessa que cheguei. Já sentia falta. Estava com sintomas de privação. Há dois meses que não tinha a minha dose...
Da paz inspiradora.
Dos horizontes infinitos.
Do verde incomparável.
São Miguel é a ilha que mais vezes me acolheu. Tenho aqui verdadeiros amigos, que desafiam em quantidade e intensidade os da minha terra natal. Mas em todas as outras ilhas alguém há que me é especial. Contactos perenes, alguns. Fugazes, outros. Não menos relevantes ou importantes.
O dia torna-se mais escuro, contrastando com a jornada soalheira da véspera. É habitual. Acolho de bom grado o raio de sol tímido que se escapuliu por entre duas assustadoras nuvens, fintando pesadas gotas de chuva que, de repente, se abatem sobre a calçada preta e branca, que recorda aos mais distraídos que estamos em Portugal.
Por agora vou simplesmente encher o peito deste ar húmido, límpido, salgado...
25.5.13
Destino: Atlântida
11h05. Aeroporto de Lisboa. Mais uma vez. Território conhecido. Destino: os picos da Atlântida. Também conhecidos vulgarmente por Açores (mas isso é para quem nunca cá veio. Porque terra tão mágica só pode ser mesmo o que resta de um continente perdido, casa de uma civilização avançada que sucumbiu por motivos desconhecidos).
Na porta de embarque, ouço a melodia inconfundível do falar micaelense. Há quem estranhe. A mim remete-me para ambientes familiares. Sinto que regresso, não que parto. Esperam-me dias intensos, de trabalho, mas em que também vou rever paisagens interiores e rostos amigos.
À chegada, a "Grande Marcha": saída do avião, pista afora. Sou brindado por um céu azul, que joga ao desafio com o azul do oceano, ali mesmo ao lado, tendo alvas nuvens por árbitro. Tão perto da perfeição... Que maior privilégio poderia pedir?
Darei notícias muito em breve, é impossível não me sentir imensamente inspirado. Volto já!
7.3.13
O dia da verdade
A última semana foi quase em exclusivo dedicada à sua montagem, e envolveu uma grande equipa, sem o auxilio da qual este projecto não teria visto a luz do dia. Rostos presentes na apresentação ao público, mas incógnitos para a maioria. Exemplo cabal de como a empatia é uma poderosa ferramenta relacional, de como acompanhado se consegue ir sempre um pouco mais longe.
Na véspera, a convite da RTP Açores, estive no Telejornal a conversar sobre esta iniciativa. O ambiente de uma transmissão em directo é electrizante!
Retrata o momento em que Catarina, uma menina de 15 meses, ouve pela primeira vez na vida, após uma complexa operação cirúrgica ao ouvido, ao ser-lhe ligado um implante coclear. O olhar intenso, perplexo, assustado, é o de um ser que desperta para uma nova realidade... A reportagem em que se inseriu, publicada em Fevereiro de 2010, teve um efeito que qualquer fotojornalista deseja mas raramente alcança: que as suas imagens façam a diferença. Nas semanas que se seguiram, a equipa médica do Hospital dos Covões, em Coimbra, recebeu dezenas de contactos de pais que, ao tomarem contacto com esta tecnologia, resgataram os filhos de um isolamento quase total e definitivo enquanto surdos-mudos. Foi bom sabê-lo. E saber que uma outra criança, cuja operação acompanhei ao longo de 4 longas horas, está hoje perfeitamente integrada, na creche, na família, nos círculos de amigos que vai desenvolvendo...
Há dias assim. E ainda bem.
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