Gozo. Puro. Simples. Quase infantil.
Foi esta a sensação que invadiu o meu mundo fotográfico nos últimos dias. E porquê? Porque tomei a decisão (algo impulsiva) de me presentear com um objecto que há muito desejava mas que, pelas características muito específicas, hesitava em adquirir. Uma nova máquina fotográfica.
Fuji X100s!
Poupo-vos a pormenores técnicos demasiado específicos: basicamente é uma pequena máquina, tipo Canonet, com uma objectiva fixa, 35mm (equivalente), f:2.0, luminosa, sensor APS-C, com controlos manuais mecânicos, metálica, prateada... e com um visor óptico. Bastante semelhante às míticas Leica M que foram escolhidas pelos mais icónicos fotojornalistas do séc. XX, que se mete num bolso largo ou numa pequena bolsa e da qual nos conseguimos até esquecer, até ser precisa.



Um pouco de intra-texto: a fotografia tem sido para mim, ao longo de 16 anos, uma paixão que se tornou profissão, mas sempre lutei para que nunca perdesse essa componente passional que, em qualquer área criativa, é simultaneamente combustível e comburente de um trabalho fresco, significativo, com alguma ponta de originalidade e cunho pessoal. A realidade, porém, nem sempre concorda com esta visão romântica: prazos a cumprir, trabalhos menos interessantes que não podemos recusar, o cansaço inevitável (físico e emocional) de acarretar com a máquina fotográfica diária e constantemente. O desgaste acontece. A forma como lidamos com ele é fulcral. É importantíssimo mantermos um foco, algo que nos faça aumentar o ritmo cardíaco, algo que nos faça sentir vivos enquanto criativos. A verdade, no entanto, é que começava já há algum tempo a sentir dificuldade em encontrar e alimentar tudo isso. Duas mudanças se deram: uma mais significativa e outra menos. Falo-vos agora da segunda: uma simples máquina fotográfica!
Quem acompanha as minhas aulas ter-me-á ouvido muitas vezes dizer que o equipamento é meramente uma ferramenta, e que nunca nos devemos focar demasiado nele, por poder ser uma armadilha que desvia a atenção do que realmente importa. O facto é: em poucos dias a X100s está a revolucionar a minha forma de fotografar e de encarar a fotografia quotidiana e de viagem!


A leveza de carregar uma máquina que é pouco maior que um maço de tabaco, com uma qualidade de imagem fabulosa, com um aspecto absolutamente inofensivo para a maioria dos transeuntes, o design sexy e retro e, sobretudo, o visor óptico que nos cria uma ligação intensa com o tema que fotografamos não se consegue transmitir em especificações técnicas. Simplesmente há que ir para a rua e fazer o gosto ao dedo! Literalmente! A forma como as pessoas (não) reagem ao acto de fotografar é reveladora! Não mais temos os esgares ou olhares ameaçadores habituais ao apontar uma SLR agressiva e fálica, diria que quase se sente uma certa indulgência pelo facto de, aparentemente, estarmos a manusear um objecto do tempo dos nossos avós!
Em conversa com um amigo, também fotógrafo, que me perguntava "-Então foste pagar um dinheirão para ficares preso a uma única objectiva/distância focal?!", respondi: "-Não! Eu paguei precisamente para me libertar do peso e volume de uma SLR profissional e da dúvida de que objectiva usar ou deixar em casa!". O obturador de cortina é quase inaudível, é suficientemente pequena para não me tapar completamente a cara, e a distância focal de 35mm é, com razão, a mais versátil: suficientemente grande angular para paisagens e ambientes apertados, suficientemente longa para retratos de ambiente ou pormenores relativamente grandes. Quase perfeita.
E libertador é a palavra que melhor me parece descrever a sensação que tenho vivenciado. Alguém me dizia que parecia um menino excitado e contente com o seu brinquedo novo. Sem dúvida! A alegria infantil de nos deslumbrarmos com algo novo, que nos dá prazer e faz sentir bem é algo que aprendemos a dissimular com a idade, porque não é forma de "gente crescida" se comportar mas que, na minha opinião, jamais deveriamos perder! E, para criar algo (seja fotografia, pintura, arquitectura, design... o que for!) precisamos de nos sentir inspirados, soltos, bem com a vida. Normalmente busco tal noutras fontes. Mas, para variar, desta vez a ferramenta é indubitavelmente importante no processo!
Resumindo, e aproveitando um slogan
gaseificado: é a pura da loucura!
As imagens deste post são o resultado de apenas uns dias e muitos testes com as definições e modos da X100s, e totalmente OOC (directas da máquina, sem qualquer pós-produção à parte o redimensionamento).