15.5.14

Um mundo de contrastes


Uma das maiores riquezas deste mundo é a diversidade e variedade cultural, natural e humana que oferece. Numa leitura serôdia, mas ainda assim actual, da icónica obra do jornalista e viajante italiano Tiziano Terzani, Disse-me um adivinho, consta uma citação, que aqui reproduzo: "O mundo é um imenso livro do qual aqueles que nunca saem de casa lêem apenas uma página".

É fácil criar estereótipos, rótulos, caixinhas onde organizar ideias e (pre)conceitos. Recentemente surgiu a possibilidade de visitar o Dubai. Longe de ser um destino de eleição para mim, aproveitei, por diversos motivos, a oportunidade, disposto a ir um pouco mais fundo do que o verniz dos super-carros e dos arranha-céus mostra ao visitante menos atento.


E, apesar de continuar a não pertencer à minha lista de preferências, acabei por descobrir que há mais alma na cidade do que muitos supõem. E um dos elementos que mais sobressai, a diferentes níveis, é o contraste que existe a cada passo que damos. Contraste na construção, contraste nas gentes, contrastes na opulência facilmente visível e na pobreza cuidadosamente escondida. Mas talvez o maior de todos seja o contraste cultural. O Dubai é uma cidade que se ergueu do deserto em poucas décadas graças ao petróleo, invadida posteriormente por legiões de estrangeiros, tanto do Oriente como do Ocidente, em que os choques civilizacionais são gritantes, provocando amiúde conflitos latentes.


O estatuto da mulher na sociedade árabe é, quiçá, o que mais desconforto provoca a um europeu. O Dubai, ainda assim, é muitíssimo mais liberal que a maioria dos seus vizinhos, nomeadamente a Arábia Saudita que, sob a ideologia Wahhabi, lhe nega muitos dos direitos considerados fundamentais nas sociedades ocidentais. Mas a herança da génese árabe lá está: carruagens no metro exclusivas para mulheres, à hora de ponta, taxis de tejadilho rosa com taxistas mulheres e apenas para senhoras, obrigatoriedade do uso de habaya em vários espaços, avisos diversos para a observação da "decência" no vestuário...

Dediquei-me, por curiosidade jornalística, a fotografar, discretamente, como convém nestas paragens, alguns sinais das diferentes dicotomias no Emirado. A primeira série é sobre o género. Outras se seguirão nos próximos dias.

Insha'Allah...


1 comentário:

  1. Gostei de ler e ver ;) Antonio Luis, um abraço!

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