11.5.17

Killi Killi

Killi Killi.

Apesar de se encontrar no coração de uma das mais caóticas metrópoles da América do Sul, com má fama provavelmente imerecida, encarrapitado no alto de uma das suas favelas, o local nada de sinistro tem. Tem, sim, uma vista de cortar a respiração. Mostra, sim, uma cidade impossivelmente construída em encostas arenosas. É vigiado, sim, pelo Illimani, o segundo pico mais alto da Bolívia, nevado, à distância, orgulhoso no alto dos seus 6462m.

Meia dúzia de pessoas ciranda por ali: um par de pombinhos adolescentes, visivelmente apaixonados, amassa-se sem cerimónias, num dos bancos de ferro forjado; três japonseses tentam à exaustão encher a máquina fotográfica com fotos em rajada; um polícia de olhar enfadado enche o peito numa tentativa vã de mostrar quem ali manda, sem que ninguém pareça notar na sua presença.


Largos minutos se passam neste deleite, a vista espraiando-se pelo horizonte aberto, enquanto a brisa fresca da montanha provoca pequenos arrepios na pele nua. O sol deixa-se tombar dolentemente por detrás das encostas amareladas do caldeirão natural em que a cidade explodiu, enquanto os glaciares do gigante refulgem os últimos raios solares, num estertor inconsequente, antes da chegada da noite límpida, que se aproxima. Um quoisque de rua ganha tons glamourosos, com as suas lâmpadas de tungsténio e uma multitude de bens que ninguém parece comprar.

É para mim um dos mais especiais locais do epicentro boliviano, pleno de carácter, charme e nostalgia...


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