8.5.17

A chicha de Freddy Almiron


Não. A chicha de Freddy Almiron nada tem a ver com carne!

Comecemos pelo princípio: chicha é uma bebida fermentada muito popular no Peru, cuja origem remontará pelo menos ao Império Inca, produzida e consumida essencialmente pelas comunidades indígenas. Embora pouco alcoólica dizem que o seu consumo em grandes quantidades tem... consequências!



Na minha última visita ao Peru tive um par de horas livres em Ollantaytambo, a cidade de acesso a Machu Picchu. É uma das localidades com traça mais original do Vale Sagrado, com bastantes vestígios urbanísticos do período Inca e embora seja muito turística na praça central e na zona das ruínas, muda radicalmente assim que nos embrenhamos pelas ruelas simétricas e apertadas, à medida que o bulício dos gringos fica lá longe. De repente passo por um portão entreaberto, que deixa adivinhar um pátio caótico cheio de gente, crianças e graúdos. O instinto fotográfico foi entrar... mas era um espaço privado, faltava uma motivação plausível. Dei ainda meia dúzia de passos até me aperceber que do muro pendia um saco de plástico colorido - sinal de venda de chicha! Aí está! Rapidamente voltei atrás e ganhei coragem para o mergulho! Assim que entrei, um mundo de sorrisos surpresos por ver um estrangeiro naquela zona da cidade. 1 sole por um copo da cerveja tradicional peruana, tirada de um gigantesco bidão azul, para um copo que talvez nos primórdios dos tempos tenha sido lavado...! O que não mata, engorda, convenci-me. Ao fim de uns minutos de conversa com o patriarca, Freddy Almiron, descobri que tínhamos mais em comum do que poderia supor: ele trabalhava em Machu Picchu, como guia, e era muito interessado e informado do que se passava na Europa. A máquina fotográfica, essa, não demorou a ser solicitada pela criançada. E a impressora instantânea Fuji Instax fez a sua magia - daí para a frente tive amigos para a vida. Fred, com 4 anos, filho do meio de Freddy, foi buscar o seu Picachu de estimação e insistiu que o fotografasse! Até a pequena Yazuri, sua irmã, com apenas 6 meses, colaborou! Ao final, foi a própria família que me pediu para fazer um retrato. Adoro quando a fotografia se torna uma ponte cultural, ao invés de uma barreira. Quando a curiosidade é mútua e ambos os lados dão e recebem algo em troca tudo está em harmonia!




O comboio e a responsabilidade de levar um grupo a concretizar um dos sonhos maiores de vida, no dia seguinte, aguardava-me. Foi o tempo certo para um contacto fugaz mas permanente no meu imaginário. Para o mês que vem lá estarei, oxalá surja de novo a oportunidade para dois dedos de conversa e uma chicha com o Freddy!


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