6.7.14

As mil e umas faces de Istambul



A população exacta de Istambul é um número fluído, pendular, indefinido. Os dados oficiais dizem 13 milhões de habitantes na área metropolitana, mas quem lá vive aponta, convicto, para os 20. O dobro da população de Portugal, numa única cidade! Foi a metrópole mais populosa que já pisei, e sinceramente diria que ultrapassa a minha capacidade de abstracção matemática, tal a dimensão, quase bíblica, que talvez apenas se abarque na sua totalidade do ar...



São muitas as implicações de viver e visitar uma cidade tão populosa como um país. Umas menos boas - trânsito, poluição, insegurança, problemas sociais – mas outras muito boas! E uma delas é a diversidade étnica, cultural, humana. Incomparável! As feições são belas, as roupas exóticas, o movimento dos corpos hipnotizante. Há algo de formigueiro, aqui. Os carreiros são inexplicavelmente ordenados, os carros buzinam e serpenteiam mas não batem, até o tráfego marítimo mescla barcos minúsculos tripulados por um solitário pescador com navios super-contentores que cruzam o Bósforo a passo lento, depois de aguardarem a sua vez horas, por vezes dias, ao largo, no Mar de Mármara.





E Istambul tem uma importante vantagem fotográfica, para um país muçulmano: o volume de turistas e de estrangeiros, e a mescla resultante, é tal que os costumes se relaxam e, com maior facilidade que noutras paragens, a fotografia é aceite com razoável indiferença.

Creio que já aqui o terei dito: não sou um fotógrafo de retrato puro e duro. De planos fechados, olhos nos olhos. Prefiro ambientes, com personagens. A minha génese fotográfica vem da fotografia de Natureza. Paisagens amplas, grandes angulares. E isso espelha-se na vertente documental do meu trabalho. Gosto de integrar as gentes no seu habitat. Por isso me apaixonei – como tantas outras gerações de fotojornalistas - pela 35mm. Houve artigos inteiros, por exemplo na National Geographic, fotografados com apenas uma máquina e uma objectiva. Tipicamente uma Leica M6, com a Summicron 35mm f2.0. E foi com essa distância focal (não numa Leica, mas sim na Fuji X100s e na Nikon D800) que mais fotografei nas ruas de Istambul. Um dia destes farei um post apenas acerca desta objectiva, que se juntará às centenas de textos já existentes de apreço pela imagética que proporciona!

Aqui vos deixo, por agora, com alguns dos instantâneos captados vagueando pela intrincada e viciante filigrana urbana de ruas, praças, vielas, terraços, becos e avenidas da mítica Constantinopla...


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