30.9.14

TATRAS: a montanha em estado puro


Já aqui falei em tempos dos Tatras: uma cadeia alpina com picos acima dos 2500m, dividida entre a Polónia e a Eslováquia (a maior parte das montanhas está efectivamente em solo eslovaco). O que as torna tão especiais? A (pequena) dimensão. E a fragilidade ambiental e cultural que se sente nas suas encostas verdejantes, paredes austeras e vales luxuriantes.




A face sul, na Eslováquia, é mais selvagem e agreste. Há menos pessoas, as infra-estruturas turisticas e desportivas são menos e mais espaçadas que na vertente Norte, na Polónia. O que realmente impressiona é a forma abrupta como se erguem na paisagem. E como, em poucos kilómetros, passamos da planície à alta montanha. Adoro a subida a Hrebeniok, e a surpresa já conhecida que aguarda o caminhante ao longo do Studeny Potok: cascatas em catadupa, um rio de montanha rugindo e rasgando a paisagem, rocha crua sob os nossos pés! Há alguns anos atrás um furacão arrasou estas encostas, partindo árvores de dezenas de metros de altura como se fossem frágeis palhas secas. Ainda hoje se vê a consequência: largas áreas nuas, com árvores muito jovens, observadas a crescer por solitários troncos secos, testemunho desse cataclismo pouco habitual na Europa. Numa das paragens sou surpreendido por uma velha conhecida: uma raposa afoita que, provavelmente habituada à comida que alguns caminhantes lhe dão, se aproxima de forma pouco habitual numa espécie furtiva.



Um pouco a Leste, o cenário muda radicalmente. Em vez de subir a montanha, desço-a. Até às suas entranhas, numa das mais espectaculares grutas deste maciço: Belianska Jaskinia. Perto de 1000 degraus, num sobe e desce impressionante por terrenos calcários, com as caracteristicas estalagmites, estalactites e curiosas formações rochosas...


Mas o expoente máximo da espectacularidade da paisagem estará talvez para lá da fronteira: Morskie Oko nunca pára de surpreender, com as suas águas de cambiantes azuis, cinzas e verdes sempre em mutação. Não me canso de aqui regressar, pela imponência do lago, das falésias, do Rysy, o mais alto pico polaco, do alto dos seus 2499m de altitude, erguendo-se orgulhoso e ostensivo acima do pequeno lago gémeo, Czarny Staw pod Rysami!



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